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Atualizado a 22 Aug, 2019

Ponte marca nova fase da Herdade do Mouchão

Ponte

A ponte, medieval, que habita a Herdade do Mouchão há séculos, foi um dos pontos de inspiração para o nome. “Ponte”, o vinho que chega em julho ao mercado é parte da História recente.

As duas grandes novidades que chegam este mês são o Ponte 2018 Verdelho (apenas 1500 garrafas), e o Ponte 2015 tinto (23 000 garrafas), dois vinhos que vêm ocupar o lugar do antigo Ponte das Canas no portfolio vínico do Mouchão.

Nascido em 2005, com base numas vinhas plantadas em 1999 e 2004, o Ponte conta com a combinação de três castas: Touriga Nacional, Touriga Franca e Syrah. Sendo um vinho com potencial de guarda, é um topo de gama da herdade centenária.

O Ponte estagia durante 18-20 meses em barricas de carvalho francês, e é comercializado após um estágio de pelo menos mais 12 meses em garrafa. Oriundos de vinhas com menos de 20 anos, os tintos são elaborados em lagares abertos com pisa a pé (como todos os Tintos no Mouchão) e com 100% de engaço.

“Acredito que esta nova vida do Ponte, que coincide com uma nova fase da Herdade do Mouchão, vai dar mostras sólidas de excelência em breve e nos próximos anos”, afirma Iain Reynolds Richardson, gestor e proprietário da Herdade do Mouchão, na família Reynolds há seis gerações.

Adega de Mouchão

O Verdelho é fruto de uma história antiga pouco conhecida nesta herdade centenária. Existia ali, em 1908, uma vinha com esta casta, aliás mencionada num livro do historiador W. H. Koebel, que referenciava o Verdelho do Mouchão como um vinho de qualidades imperdíveis.

Nesse vinhedo de menos de 1 hectare, Iain Reynolds Richardson fez, em 2015, uma enxertia sobre videiras da casta Perrum, com cerca de 20 anos.

A história da Herdade do Mouchão remonta ao início do século XIX, altura em que a família migrou para o Alto Alentejo para desenvolver o negócio da cortiça. Três gerações depois, John Reynolds e Isabel Bastos Reynolds adquiriram uma propriedade de 900 hectares, denominada Herdade do Mouchão.

À atividade corticeira, a família acabou por adicionar a produção de vinhos, trazendo para o Alentejo as primeiras plantas da famosa casta Alicante Bouschet. Plantaram-se várias vinhas, e, em 1901, construiu-se uma adega tradicional, de grossas e paredes de adobe e elevado pé direito, encimado por um telhado de telha vã portuguesa. Actualmente, a Herdade divide-se por 41 hectares e diversas parcelas, sendo as mais antigas aquelas onde se encontra a nobre Alicante Bouschet.

Mais de um século após a sua fundação, e depois de ter recuperado das expropriações agrícolas que ocorreram após a revolução de 1974, a Herdade do Mouchão continua na posse da mesma família.

Todo o processo de vinificação mantém-se praticamente o mesmo desde aquela primeira vindima, preservando a tradição de apanha à mão, de fermentação das uvas em lagares de pedra com pisa a pé.