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Seminário Vitacress revela segredos das ervas aromáticas

Congresso Ervas Aromaticas

Com o objetivo de proporcionar um conhecimento alargado sobre ervas aromáticas, a Vitacress organizou um seminário sobre o tema. Com a participação de diversos especialistas, investigadores científicos, agrónomos e autores, todos concordaram que a utilização das ervas aromáticas na alimentação contribui para a redução do consumo de sal.


Podem as ervas aromáticas ajudar no tratamento de cancro?


A exposição de Teresa Serra, do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET), focou-se na influência de diversos alimentos – como alfazema, hortelã, agrião, brócolo, coentro, manjericão, salicórnia e sarcocórnia – no tratamento do cancro colorectal.


Através de modelos laboratoriais tridimensionais foi possível concluir que estes alimentos demonstram uma capacidade significativa de inibição do crescimento de células humanas de cancro colorectal (HT29), estando lançadas as bases para novos ensaios pré-clínicos e em animais. Daqui a uns anos, prevê-se que possam ser desenhadas intervenções nutricionais para terapia do cancro na sequência de futuros ensaios clínicos.

Portugueses consomem o dobro da quantidade de sal recomendada


Mónica Sousa, professora auxiliar convidada da NOVA Medical School, apresentou estudos com base em inquéritos que apontam que os portugueses consomem 7,4 gramas de sal por dia. No entanto, outras pesquisas baseadas em análises à urina corrigem este número para os 10,7 gramas, o dobro dos 5 gramas por dia recomendados pela Organização Mundial de Saúde.


A especialista contrapôs ainda a teoria atual – que recomenda uma dieta baseada em orientações alimentares – à dieta focada nos nutrientes, defendendo uma alimentação equilibrada em vez de uma dieta complementada com suplementos alimentares.

 

Congresso Ervas Vitacress

É possível alterar os hábitos alimentares?


Helena Real, secretária geral da APN, alertou que menos de 20% da população adere à dieta mediterrânica, ainda que a maioria tenha disponibilidade financeira para o fazer. Um dos pilares da dieta é, precisamente, a redução do consumo de sal culinário e a inclusão de ervas aromáticas nos vários pratos.


Ian Rowland – professor emérito de Nutrição Humana na Universidade de Reading – apresentou três estudos que mediram o potencial das ervas aromáticas e especiarias como facilitadoras da aceitação de vegetais e alimentos com baixo teor de gordura e sal.

A primeira pesquisa incluiu três refeições em três versões diferentes: com gordura; com pouca gordura; e com pouca gordura, mas temperadas com ervas aromáticas e especiarias. Os resultados indicaram que, em média, estas últimas variantes atingiram um grau de preferência em linha com as versões originais dos pratos, demonstrando o potencial das ervas aromáticas e especiarias para ajudar os consumidores a aderirem a uma dieta mais equilibrada.


Já no segundo estudo, em que se testou a redução de sal na sopa de tomate, os consumidores começaram por preferir o produto com mais sal, mas ao longo de três dias de testes foram apreciando cada vez mais a versão com menos sal e com ervas aromáticas, ao ponto de esta se tornar na receita preferida.


Rowland explicou que tal poderá derivar da capacidade dos aromas das ervas influenciarem a perceção do sabor salgado, ainda que a presença de sal tenha sido reduzida em 53 por cento. Por fim, um outro estudo sobre o uso de ervas aromáticas e especiarias em diferentes vegetais comprovou a preferência por alimentos temperados desta forma, demonstrando o seu potencial para ajudar os consumidores reduzirem o consumo de sal.

O seminário foi organizado em parceria com a Associação Portuguesa de Nutrição (APN), tendo as receitas revertido a favor do Instituto Português de Oncologia.